Trocamos de caverna ou de pele?

É bem conhecida a alegoria de Platão na qual uma pessoa, acorrentada na caverna da sua realidade com outras pessoas, acaba por libertar-se e, após adaptar-se à claridade da verdade, fica maravilhada e seu contentamento a leva à buscar os antigos companheiros, que continuam na caverna, como num ventre do predador a digeri-los lentamente. Estes, não compreendendo outra realidade, vêm no amigo livre um corruptor da realidade conhecida. A sua opção é fugir para não ser apedrejado. Esse é o fim daqueles que tentam despertar qualquer um para a verdade. Já a serpente tem outra forma de transitar pela realidade. Mudando de pele, o réptil silencioso trabalha nos bastidores e aumenta de tamanho às custas de suas presas que, estagnadas em seu encantamento, tardiamente percebem (ou não) que somente serão subsídios para essa alimentação. A nós, fica a lei da sobrevivência e da escolha, envoltas na retidão ou sedução, no doce ou amargo, na renúncia ou no controle, na acusação ou na graça. A escolha definirá o lado da batalha. Não define a vitória, mas define a morte.

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